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Trajetória de grandes profissionais do Direito: Paulo Pinheiro

Written by Larissa Costa | 19/dez/2017 11:42:45

No texto de hoje vamos conhecer um pouco da trajetória do Professor Paulo Pinheiro. 

Sobre a escolha da profissão de advogado, ele nos relata que teve forte influência dos seus pais: Luciano de Souza Pinheiro e Zélia Dantas d’Arce Pinheiro.

Mesmo morando em São Paulo, o jovem Paulo conversava diariamente com o seu pai, contando sobre a matéria que estava estudando, no curso de Direito na Universidade Mackenzie. 

E dessas conversas saiam inúmeras indicações bibliográficas e a insistente recomendação: estude e estude lendo, pelo menos, um livro de doutrina acerca de cada assunto. 

Dr. Luciano, que também lecionou na Toledo Prudente, chamava a atenção do filho Paulo, para a ligação entre os temas do curso e os acontecimentos do dia-a-dia, durante as conversas sobre a Constituição, que havia sido promulgada fazia pouco tempo, o impeachment do Presidente Collor, a promulgação do CDC, a 'nova' Lei do Inquilinato, as mudanças no CPC de 1973.

Ainda por meio do seu pai,  foi transmitido o fascínio pelos grandes mestres do Direito e pelos livros jurídicos. Sua mãe lhe transmitiu uma visão mais pragmática da advocacia. A importância do direito empresarial, do funcionamento de um escritório e da luta diária do advogado. Ou seja, ser advogado não é “apenas” estudar e apreender Direito e saber peticionar. Existem outros aspectos ligados, por exemplo, a planejamento, organização e atendimento ao cliente, que são igualmente decisivos para o sucesso do trabalho.

Com essas influências, já ao longo da faculdade, percebi que estava sendo forjado para advogar. E, realmente, já na academia, sempre me vi como advogado.

Concluído o curso de Direito , o jovem Paulo volta para Prudente e teve a grande fortuna de trabalhar com os seus pais, dando origem a sociedade: Pinheiro e d’Arce Pinheiro Advogados). 

Por mais de 15 anos, dividiu experiências com seus pais.

Sobre esses anos o professor Paulo nos fala: Foram-me ensinados parâmetros como a postura ética, esforço e trabalhos contínuos, o estudo, paciência e humildade, os quais me empenho para seguir.

A exigência de estudo continuo levou-o para vida acadêmica, iniciando a docência na Toledo (a partir de 1997, pontualmente, substitui seu pai e, em 1999, assumiu sua primeira turma), seja para a realização dos cursos de mestrado e doutorado, realizados na PUC de São Paulo e defendidos, respectivamente, em 2001 e 2009.

Professor Paulo nos deixa as seguintes lições:

"Não posso deixar de rememorar que o exercício da advocacia sempre estará inserido nas relações humanas.

Falar da advocacia é falar da vida e do ser humano investido nesta função.  Daí a relevância de lembrar, também nesse contexto, da necessidade de cultuar a Fé em Deus, Respeitar e Amar ao próximo, independente de diferenças eventualmente existentes, além de sempre prestigiar a Honestidade, a Lealdade, a Gratidão, a Boa-fé, a Humildade e a Esperança.

E essa tarefa não é fácil e supõe muito mais empenho individual do que de qualquer outra coisa. Sempre sem receio de dizer o óbvio, afirmo que o desenvolvimento espiritual, pessoal e profissional depende principalmente do indivíduo. A vida é muito semelhante a uma corrida de longuíssima distância: é você contra você mesmo, sendo que o resultado é fruto muito mais das virtudes, fraquezas, acerto e erros de cada um do que do mérito ou força do eventual oponente do momento.

Por isso, jamais se pode renunciar a esse compromisso que deve ser firmado consigo mesmo para a evolução espiritual, pessoal e profissional. O conhecimento adquirido nos livros não supera nem pode ser substituído por aquilo que Camões chamou de “saber só d’experiências feito”, quando se referiu ao Velho do Restelo. Em tempos mais recentes, Marisa Monte colocou em uma de suas letras indagação que retrata com exatidão o problema aqui encaminhado: que é mais inteligente o livro ou a sabedoria?

E para responder o questionamento evoco a frase com que José Saramago, falando de seus avôs, iniciou o seu discurso quando do recebimento do prêmio Nobel de literatura: “O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever”.

Na linha do acima consignado, creio que se deve desconfiar daqueles que, num compromisso com o supostamente “novo”, se recusam a ouvir os mais experientes, bem como da supervalorização de títulos, inclusive os acadêmicos, sem a análise do correspondente e necessário conteúdo. A titulação formal é importante e dever ser valorizada. No entanto, deve-se ter em mente que há doutos que não são doutores e doutores que não são doutos. Deve-se sempre tentar ser doutor douto e, mais do que isso, um bom ser humano.Não posso rematar esse meu relato sem lembrar o saudoso Professor José Carlos Barbosa Moreira. As palavras do ilustre jurista, embora tenham sido proferidas com o fito de examinar assunto relativo ao processo civil, podem também ser aplicadas à vida, que é de muito maior transcendência.

Disse o eminente Professor:

“É necessário segurar as duas pontas da corrente”. “Nada de exageros: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O processo, e o direito, e a própria vida não se constroem à força de opções sempre radicais, e menos ainda de golpes espetaculares, senão com paciência de combinar elementos heterogêneos e tentar costurá-los, sem grande alarde, sem demasiada ambição, num conjunto quanto possível harmonioso. Será pouco, talvez: mas é o máximo a que podemos aspirar neste mundo”.

Sua mãe, Dra Zélia reduziu as suas atividades profissionais a alguns anos e o seu pai, Dr Luciano faleceu em 2012.